O Prato Vazio na Esquina da Fartura — O Testemunho do Tempo 2016
O escândalo moral da miséria em um país que bate recordes de colheita; os invisíveis das marquises e o clamor inadiável por equidade. Uma crônica sensível e profunda por Cristiano Ricardo sobre a injustiça social e as fraturas da pátria.
- Fundamentação sólida em fontes científicas revisadas por pares;
- Recomendações práticas e acionáveis para o leitor e o profissional;
- Compromisso com a ética, a clareza e a transparência em saúde.
Caminhar pelas grandes capitais brasileiras no crepúsculo é um teste diário de resistência para a sensibilidade humana. Ao lado de vitrines que exibem relógios importados pelo preço de um imóvel popular, famílias inteiras montam barracas de papelão sobre o asfalto frio, acendendo fogo em latas de leite para aquecer uma sobra de sopa doada por voluntários.
Dizem as estatísticas do agronegócio que o Brasil tem solo e tecnologia para alimentar um quarto da humanidade com suas safras espetaculares de grãos e proteínas. Como explicar, então, sem que a vergonha nos queime a face, que milhões de compatriotas acordem sem saber se haverá um pedaço de pão para os filhos no almoço? A resposta não está na terra, mas na cerca; não está na lavoura, mas no cofre.
A sociedade aprendeu a criar mecanismos sofisticados de anestesia moral. Fechamos os vidros fumê dos automóveis nos semáforos, colocamos fones de cancelamento de ruído e apelidamos a miséria de 'problema estrutural', como se as pessoas que dormem sob viadutos fossem peças de um tabuleiro abstrato e não seres de carne, osso, alma e lágrimas.
Não haverá paz digna desse nome, nem democracia que mereça ser celebrada com fanfarras, enquanto a fome for a companheira diária de quem nasce na periferia. A justiça social não é um favor que a elite concede por bondade domingueira; é a dívida histórica mais sagrada e urgente que temos com a nossa própria gente.
“A desigualdade brutal não é um acidente geográfico nem um destino divino; é uma escolha política vergonhosa mantida pela indiferença dos fartos.”
Publicidade— Cristiano Ricardo, em reflexão sobre a injustiça social e as fraturas da pátria
Olhar para trás e reconhecer cada curva dessa estrada não é um exercício de nostalgia vazia, mas um ato sagrado de reconciliação com a própria história. Que possamos atravessar os dias que ainda virão com o coração desarmado, prontos para lutar pelo que é justo, acolher os que sofrem e celebrar a graça imensa de estar vivos e lúcidos sob a claridade deste céu.
Cristiano Ricardo
Escritor, Cronista & Pensador do Cotidiano · Publicado em 06/02/2016 às 03:39
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