O Elevador Lacerda e a Preguiça Cósmica da Gravidade — Crônica Urbana 2017
São setenta e dois metros de abismo vertical separando o porto do pelourinho.
- Reflexão sobre a serenidade interior em tempos de aceleração constante;
- Valorização das pequenas belezas e do acolhimento dos sentimentos humanos;
- Mensagem de renovação e esperança para o cotidiano.
Trinta segundos de silêncio e vertigem dentro da cabine de ferro.
Ali dentro ninguém reza alto, mas quase todo mundo aperta a mandíbula.
O vendedor de fitinhas do Bonfim prometia três desejos para cada nó amarrado no pulso. Um turista de bermuda cáqui perguntou se o elevador já havia despencado desde a inauguração em 1873.
O baiano do lado, com a sabedoria secular de quem descende de carpinteiros navais e mestres de capoeira, olhou o mar da Baía de Todos os Santos pela fresta e respondeu sem pestanejar:
— Despencar, meu rei, nunca despencou não. Mas também não tem pressa nenhuma de chegar no céu. Tomé de Sousa levou dois anos pra erguer a muralha; nós leva trinta segundo pra subir. Tá no lucro.
A porta pantográfica abriu-se com um rangido metálico.
Lá em cima, o sol da Bahia não iluminava a cidade: coroava-a.
O turista esqueceu o medo da queda e comprou seis fitinhas de uma vez só, barganhando o futuro no atacado.
Cristiano Ricardo — Escritor
Crônicas Brasileiras & Flagrantes do Cotidiano · Publicado em 21/07/2017 às 03:22.
💡 Perguntas Frequentes & Esclarecimentos do Especialista
A literatura e as reflexões existenciais ativam circuitos de empatia, ampliam o vocabulário emocional e oferecem um espaço seguro de acolhimento e desaceleração mental.
Reservando alguns minutos no início do dia para leitura consciente e praticando a escuta atenta e a empatia nas relações cotidianas com colegas, pacientes e familiares.
Absolutamente. Os maiores cientistas da história reconheciam que o rigor da pesquisa e a sensibilidade poética são duas faces complementares da mesma busca pela compreensão da existência.
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