A Curva do Silêncio em Ouro Preto e a Lição do Aleijadinho
As ladeiras de Ouro Preto foram desenhadas para que o homem compreendesse, pela dor dos joelhos, a humildade de existir.
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- Compromisso com a ética, a clareza e a transparência em saúde.
Subir a ladeira de São Francisco de Assis às três da tarde não é um passeio turístico: é um exercício de penitência barroca.
O estudante de república descia apressado com uma mochila pesada e um violão nas costas.
Tropeçou no calçamento irregular de pedra-sabão.
Não caiu por milagre ou por reflexo atlético.
Apoiou a mão na parede de alvenaria colonial de uma casa de sacada de ferro batido.
Dali de cima, os profetas esculpidos por Antônio Francisco Lisboa pareciam vigiar a cena com aquele olhar severo e triste de quem já sabia, antes de Tiradentes subir ao cadafalso, que o ouro vai embora para a metrópole e as pedras pontiagudas ficam para os pés dos que sobram.
O moço respirou fundo, recompôs o violão e sorriu para a estátua.
— O senhor também ralou muito o cinzel pra deixar essa ladeira bonita desse jeito, não foi, mestre?
O profeta não respondeu.
Mas o vento que soprou da serra trouxe um cheiro antigo de pó de pedra e alecrim bravo que calou a pressa de todo mundo por dez minutos.
Cristiano Ricardo — Escritor
Crônicas Brasileiras & Flagrantes do Cotidiano · Publicado em 29/10/2009 às 04:50.
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